MAPLE BEAR GLOBAL SCHOOLS The best of Canadian education for a global future.

Acontece na Maple Bear

Como e quando as crianças começam a produzir uma nova língua?

Escrito por Patricia Escanho.

Apesar de percebermos diferenças na maneira com que cada aluno desenvolve habilidades comunicativas, alguns pesquisadores, na tentativa de explicar a aquisição de linguagem como um processo, apontam as competências linguísticas que crianças pequenas desenvolvem ao entrarem em contato com um novo idioma. Os resultados dessas pesquisas nos ajudam a pensar sobre o processo de ensino-aprendizagem da língua inglesa. Uma questão, porém, nos parece importante salientar. A aquisição de um novo idioma é cumulativa e não necessariamente linear. As crianças vão acumulando novas habilidades e estratégias, mas mantém as anteriores, ampliando cada vez mais as possibilidades de comunicação.

Este texto pretende apresentar algumas das competências linguísticas adquiridas pelos alunos que frequentam um ambiente de imersão, como o oferecido nas salas da Maple Bear Morumbi Paineiras. Não podemos esquecer que, apesar de participarem de um programa de imersão na língua inglesa, nossos alunos também vivenciam situações de interação com colegas nas quais a língua portuguesa é a língua utilizada.

Home-language use

Quando expostas a situações nas quais uma nova língua seja utilizada, é comum que crianças pequenas optem por uma das seguintes atitudes: continuam a usar a língua materna (home-language), mesmo quando seu interlocutor usa a língua inglesa (ou outra língua), ou adquirem uma postura de ouvinte, deixando de tentar se comunicar oralmente nessas situações.

Ambas as reações podem ser observadas em nossos alunos, apesar da primeira ser muito mais frequente. Geralmente, quando percebe que o uso da língua materna não é eficaz no ambiente bilíngue a criança começa a experimentar novas estratégias de comunicação. Pesquisadores chamam de The nonverbal Period o período em que os alunos começam a descobrir outras maneiras de comunicação, antes de produzirem palavras.

The Nonverbal Period

No chamado “Período não-verbal” as crianças, apesar de muito envolvidas com as diversas situações de aprendizagem oferecidas em inglês pela escola, ainda não utilizam o inglês nas interações com falantes desse idioma. Porém, podem ser observadas elaborando estratégias de comunicação não verbal ou fazendo experimentações sonoras.

Isso significa que os alunos podem utilizar expressões faciais, movimentos, acenos ou até objetos para se fazer compreender. Elaboram estratégias para receber uma atenção específica do professor, fazer um pedido, demonstrar uma insatisfação ou até fazer algo engraçado, que agrade quem os esteja observando.

A necessidade de compreender uma história, por exemplo, ou socialmente se identificar com falantes da língua inglesa nas situações de sala de aula leva os alunos a se tornarem bons observadores e colecionarem o maior número de dados sobre como a comunicação em inglês acontece.

Antes de produzirem a língua convencionalmente, as crianças podem “ensaiar” uma produção oral a partir da verbalização de sons, que lembram como os bebês começam a se comunicar oralmente na língua materna. Todo idioma possui um “sistema sonoro” que consiste em entonação e ritmo. Tais sons são logo notados pelas crianças. E experimentar esses sons já faz parte da aprendizagem e aquisição do novo idioma. É comum observarmos crianças pequenas que, ao serem convidadas a comunicar à professora a música que querem cantar, verbalizam um som ou gesto característico da música, por exemplo.

As crianças ampliam essa brincadeira com os sons repetindo algumas palavras que ouvem na língua inglesa. Porém, como o que está em jogo nesse início de aprendizagem é a sonoridade, na maioria das vezes as repetições de palavras acontecem fora de contexto e não necessariamente detém o desejo de comunicar algo.

Telegraphic and Formulaic Speech

Quando a criança se sente suficientemente à vontade e competente no ambiente bilíngue ela passa a mostrar o que descobriu sobre a nova língua em situações comunicativas. Dois tipos de falas (ou speech) são observados nesse processo. Segundo Tabors (1997), a criança usa Telegraphic Speech quando produz uma palavra para representar uma estrutura inteira. Por exemplo, em uma situação de lanche, quando quer mais suco, a criança pode dizer “Juice” (suco) ou “Juice, please” (Suco, por favor), ao invés de “May I have more juice, please?” (Gostaria de um pouco mais de suco, por favor).

Formulaic Speech se refere a algumas frases muito utilizadas no cotidiano escolar que os alunos rapidamente aprendem a compreender e repetir em situações contextualizadas. Funcionam como “fórmulas” que garantem aos alunos a produção do novo idioma sabendo que serão compreendidos por falantes da língua inglesa. Alguns exemplos são frases comumente usadas pelos alunos, como “May I go to the bathroom?” (Posso ir ao banheiro?) ou expressões muito usadas pelos professores, como “Let’s go” (Vamos), “Be careful” (Cuidado) ou “Excuse me” (Com licença).

Productive Language Use

Uma vez que as crianças adquirem um bom repertório de vocabulário e frases, podem começar a construir suas próprias estruturas.

Durante esse processo os alunos analisam a língua e começam a descobrir como a língua inglesa é estruturada. Para darem conta dessa tarefa também fazem relações com o que conhecem do idioma materno.

Ao perceber que venceu a partida de um jogo, por exemplo, uma criança disse: “I win” (eu ganhei). Apesar de ainda não ter utilizado o verbo no tempo correto (neste caso seria won) construiu uma estrutura compreensível.

Um exemplo de como as crianças aplicam os conhecimentos que possuem sobre o idioma materno para construírem estruturas no 2º idioma é o de uma criança brasileira que, ao descer as escadas pulando os degraus e ouvir da professora que não deveria pular nas escadas, responde da seguinte forma: “I don’t jampei” (eu não pulei). Este aluno utilizou uma estrutura negativa já conhecida e, sabendo que o verbo jump (pular) deveria ser utilizado no passado, usou uma terminação muito comum a verbos na língua portuguesa no passado: ei.

Nossos professores aliam o estudo sobre a aquisição do 1º e 2º idiomas e as avaliações sobre as competências linguísticas que os alunos já possuem para garantirem que as crianças aprendam a usar a língua inglesa nas mais variadas situações comunicativas.

Bibliografia:

GENESEE, Fred. Dual Language development and disorders: a handbook on bilingualism and second language learning. Paul H. Brookes Publishing Co.: 2004

TABORS, Patton O. One child, two languages: a guide for preschool educators of children learning English as a second language. Paul H. Brookes Publishing Co.: 1997

Deixe um comentário

Informações e dúvidas frequentes